superpoderosa


Imagens num olhar da urbe. A percepção influenciada pela perspectiva de um mundo em desconstrução. Imagens recolocadas em circulação, por meio de vídeos e impressões, também transpostas para a rua, espaço de embate entre olhar/ autor/ obra. Um processo de realimentação na obra de Marcelo De Angelis.
Os espaços que o homem convive e suas relações promíscuas. Uma cidade que transpira por identidade, refletindo em cada rosto as salgadas incertezas. Espaço onde a memória fica guardada em concreto, esquecido pelo tempo dos alicerces até que haja uma nova construção do momento.

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Publicado por Marcelo Leite em 09/07/2012 – 15:45

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Pichadores usam o espaço público para se manifestar livremente. Muitos dos locais são escolhidos pela visibilidade e ocupados sem pedir licença. Curiosamente, se limitam a muros e paredes. Entre outras razões, existe a questão do suporte (semelhante a um tela de pintura) e da territorialidade. Muito do que se vê por aí, nas mais variadas formas de caligrafia, se resume a assinaturas, marcas de ocupação. Mas fica a pergunta: se o patrimônio alheio não é impeditivo algum, por que os carros são respeitados? Suponho que parte da resposta esteja no fato de que são produtos cobiçados por todos, intocáveis objetos de desejo, mesmo para os pichadores. Já muros e paredes de residências e empresas são vistos de forma oposta. Assim, numa espécie de acordo impl;icito entre duas partes da sociedade, em automóvel não se toca.

No Brasil, a pichação é considerada vandalismo e crime ambiental, nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que estipula pena de detenção de 3 meses a 1 ano, e multa, para quem pichar, grafitar ou por qualquer meio conspurcar edificação ou monumento urbano. Entretanto, juízes vêm adotando a aplicação de penas alternativas, como o fornecimento de cestas básicas a entidades filantrópicas ou a prestação de serviços comunitários pelo infrator. É como seu uma ou duas demãos de tinta sobre a parede apagassem tudo. E apagam mesmo. Mas se o infrator é pego pichando um automóvel, é como se isso doesse mais na consciência de todos. Em resumo, em automóvel ninguém toca. A não ser para roubar. Mas aí é outra história. E outra turma.

As imagens aqui são meramente ilustrativas e foram montadas digitalmente, não implicando em nenhuma apologia pichatória. Antes, pelo contrário.

Exposição de arte efêmera, com imagens ampliadas em papel e coladas diretamente sobre o muro da antiga Sociedade Operário. A proximidade do local, em frente ao Fidel Bar, com o carnaval de rua dos Garibaldis&Sacis e violenta repressão policial aos foliões deu ensejo de resgatar a velha estampa do Che, assim como o velho bordão “hay que endurecer, pero sin perder la ternura“.

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A luta entre razão e paixão. Entre querer e fazer, e entre querer e não poder. O dois-em-um que põe em movimento o processo de escolha e encontra efeito oposto na vontade: querer e não querer ao mesmo tempo. O homem manda em si mesmo e por ele mesmo não é obedecido. Liberdade e livre-arbítrio. A primeira é política e o segundo decorre de uma vontade. O homem que abre mão de sua vontade não é um homem livre, muito menos um herói, só porque se recusa a manejar uma máquina ou empunhar uma enxada, mas está condenado a ser livre. A liberdade começa no diálogo com seu eu interior, seja naquilo que chamamos de pensamento, seja em conflito, no antagonismo entre o que se quer fazer e o que se faz. O segundo é ação concreta, que parte do querer e se corresponde no poder fazer. É uma dialética cruel, que mostra os equívocos e a impotência do coração humano. O verdadeiro conflito, porém, ocorre dentro da própria vontade e seu efeito paralisante que nos faz parecer avançar sem, no entanto, sair do lugar. Aqueles que desistiram da jornada, os que se abandonam e se prostram, talvez sejam os que viram o real de perto e com isso deixaram de lado todas as ilusões. A vida então não passaria de sonho e só o que vale a pena é sonhar.

(Trilha sonora “emprestada“ de The Sky’s Gone Out, do Bauhaus. As músicas utilizadas são The Three Shadows Part II, na íntegra e a abertura de Exquisite Corpse)

vimeo.com/36792874

A luta entre razão e paixão. Entre querer e fazer, e entre querer e não poder. O dois-em-um que põe em movimento o processo de escolha e encontra efeito oposto na vontade: querer e não querer ao mesmo tempo. O homem manda em si mesmo e por ele mesmo não é obedecido. Liberdade e livre-arbítrio. A primeira é política e o segundo decorre de uma vontade. O homem que abre mão de sua vontade não é um homem livre, muito menos um herói, só porque se recusa a manejar uma máquina ou empunhar uma enxada, mas está condenado a ser livre.

A liberdade começa no diálogo com seu eu interior, seja naquilo que chamamos de pensamento, seja em conflito, no antagonismo entre o que se quer fazer e o que se faz. É uma dialética cruel, que mostra os equívocos e a impotência do coração humano. O verdadeiro conflito, porém, ocorre dentro da própria vontade e seu efeito paralisante que nos faz parecer avançar sem, no entanto, sair do lugar. Aqueles que desistiram da jornada, os que se abandonam e se prostram, talvez sejam os que viram o real de perto e com isso deixaram de lado todas as ilusões. A vida então não passaria de sonho. E só o que vale a pena é sonhar.

(Trilha sonora “emprestada“ de The Sky’s Gone Out, do Bauhaus. As músicas utilizadas são The Three Shadows (Part II) na íntegra e a abertura de Exquisite Corps)

Broadway Boogie-Woogie quadro concluído em 1943, de Piet Mondrian, pintor holandês recém chegado em Nova Iorque. É considerado por muitos a sua obra prima e o ponto culminante do seu sentido estético. Comparado com suas obras anteriores, a tela está dividida num número significativamente maior de pequenos quadrados sugerindo casas, prédios e automóveis. Ainda que apresente um caráter essencialmente abstrato, a obra baseia-se diretamente em duas referências do mundo exterior: a malha urbana de Manhattan e o ritmo do boogie-woogie, derivação do jazz muito apreciada na época. Como abstração estética de uma cena urbana emblemática, Broadway Boogie-Woogie não poderia falta nesta página, dedicada à investigação e reflexão acerca do espaço ubano e da forma como ele organiza e é organizado por seus habitantes. Abaixo, a pintura original de Mondrian, no qual se baseia a animação acima e Curitba Boogie-Woogie mais abaixo, minha versão pessoal para o tema.